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A hora que o Vazio tomou uma Forma


FOTO: Bruna Cook

Segura que lá vem textão!


É interessante notar como muitas vezes planejamos tanto um projeto para objetivos grandiosos e simplesmente não funciona… mal sai do papel.

Algumas raras vezes ocorre de uma sementinha especial cair despretensiosamente em um solo fértil e gerar fortes raízes ali, frutificando, se desenvolvendo e crescendo cada vez mais. Foi o que aconteceu com Vazio e Forma; surgiu de uma vontade antiga de falar sobre a minha percepção e sentimento em relação à prática marcial… essa ideia foi apagada com o tempo por diversas questões.

Meados de 2024.



Outubro de 2025

Depois de mais de um ano, conversando com a Sensei Elisângela, surge-me a ideia de realizar um documentário sobre a percepção e os sentimentos das mulheres no tatame.

O que era para ser um curta bem curto ganhou corpo com a chegada da segunda personagem (Ariadne), ocupando a posição de discípula, e posteriormente a chegada de uma terceira personagem para complementar a tríade: Bárbara. Assim o doc. cresceu, o caldo engrossou, deu pano pra manga e consegui captar muito, mas muito, material de uma profundidade que eu não imaginava.


Vim para a ilha de edição e qual não foi minha surpresa: de 5 minutos, passamos a 25 minutos de produto final. Olhei para aquele material finalizado e pensei: por que não trabalhar mais na sua distribuição?


Já havíamos feito um pequeno e breve experimento de exibição em beta em ambiente acadêmico na Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública.


E foi aí que mergulhamos no mundo dos festivais: fomos selecionados para exibição nos primeiros, fomos negados em muitos outros, mas comemoramos cada pequena conquista do nosso filhote doc.


Resolvi arriscar uma exibição presencial. Por que arriscar? Há muitos anos estou afastado do circuito de exibições artísticas, tanto do teatro quanto do cinema (o mundo do marketing me engoliu e quase matou o artista); haveria alguns riscos de não haver interesse, não haver público.



Janeiro de 2026

A Sensei Elis (que também é professora de francês) foi à frente, fazendo a ponte entre mim e a Aliança Francesa, que prontamente nos acolheu, comprou a ideia e encaixou de forma magistral na sua programação do mês da francofonia (uma das versões do doc. é legendada em francês) e marcamos a estreia no mês das mulheres!



Fevereiro de 2026

Nesse meio tempo, mergulhei novamente em um universo desconhecido: a burocracia do cinema brasileiro, a parte legal (de lei, não divertida). Consegui registrar o doc. na ANCINE e agora temos um Certificado de Produto Brasileiro, estamos prontos para exportação!

Chegado o momento da exibição.



Março de 2026

Finalmente faremos a estreia oficial presencial do nosso documentário!

E que linda surpresa quando recebi a mensagem da Comunicação da AF, sob a pessoa de Bruna Cook, informando que estávamos na capa do Caderno 2, parte cultural do jornal A Tarde.


Como profissional do marketing, muitas vezes a rotina se estabelece em ficar brigando para provar com dados óbvios por A + B os resultados do seu trabalho; havia me desacostumado a receber um reconhecimento prático do produto do meu esforço artístico.


Eu sabia que o que eu tinha ali nas mãos era de uma potência muito grande, porém ver esse impacto em quem assistia a uma pequena parte do trabalho não tinha preço. Sim, me relembrou a estreia do meu último documentário longa-metragem: Excursão por uma Cidade Cega, que por fatores e oportunidades semelhantes tivemos a feliz experiência de exibi-lo na Embaixada Brasileira em Paris.


E cruzei o caminho da França novamente… Quase dez anos depois.


Tive o prazer de conhecer a diretora da AF, Sra. Sandrine Santos, que mediou o bate-papo ao final da exibição, e o presidente Fernando José Amorim Marinho, para o qual foi grande minha surpresa ao saber de sua extensa trajetória artística. Ambos muito receptivos e incentivadores do nosso trabalho, traçando paralelos interessantíssimos durante a nossa conversa.


Qual não foi minha emoção quando, uma hora antes da sessão, recebo os áudios de minha amiga guerreira @patricia justificando a sua ausência na estreia, mas enviando uma super energia de motivação para continuarmos com nosso trabalho no audiovisual! Temos um projeto incrível para rodar com a @solvaa ainda esse ano, que vai exigir uma logística desafiadora nos mares da Baía de Todos os Santos (aguardem os próximos episódios). E como foi bom receber o abraço apertado do seu "representante oficial" (como ela mesma nomeou, risos), @joseico, e sua companheira.


Para completar as boas surpresas da noite, revi um grande amigo depois de muito tempo sem vê-lo. Todo mundo tem aquele amigo que diz "vamos marcar alguma coisa…", "vamos…", sim, é esse. @gabrielmatos, o dramaturgo que, não contente com eu já ter dirigido um texto seu, agora quer me ver atuando (pasmem) em um conto…


Nos bastidores, eu recebia as tristes mensagens do meu amigo diretor @luideprins, que estava tentando ir à exibição mas havia ficado preso no trabalho. E no exato momento em que escrevo esse texto, estamos conversando por mensagem planejando um documentário muito, mas muito, incrível de utilidade pública. (Super animado com isso.)


Sempre bom poder contar com a presença dos amigos e da família; tornam o ambiente mais leve e confortável. Mas falando nisso… que público carinhoso! A absorção da obra, as perguntas e questionamentos, o engajamento, a troca de experiências e as delicadas mensagens de incentivo.


Uma das melhores coisas que pode acontecer comigo enquanto diretor, ao apresentar um trabalho, é que o público entre na sala de uma forma e saia de outra, reflita, sinta e leve questionamentos para casa. Acho que conseguimos isso. Frases como "isso é outra óptica", "vi Salvador por outras lentes", "isso me deu sementinhas para pensar e refletir".


Não pude deixar de lamentar a ausência do público praticante da arte do Aikido. A falta de adesão a eventos locais já é um comportamento crônico que venho observando há alguns anos; há um abismo entre a percepção de valor de um evento regional e a de um evento externo.


Agradeço a todos que contribuíram nessa jornada. Nos vemos em breve!

 
 
 

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